
É tão certo que o desejo,
Como que o não posso desejar.
Não é verdade nem mentira,
É um facto a censurar.
Se não posso não exijas,
Não me queiras pressionar.
Sem prometer não há que cumprir,
Não me peças o que não posso dar.
Não sabes de ti e o que procuras,
Enfim...
Em mim não o hás-de encontrar.
És mote em todos os pensamentos,
Invocação em todos os momentos,
Dilema em todos os sentimentos...
Não és sequer tentação
Pois aí não me deixei chegar,
És mais toda a emoção
Que já não posso controlar.
Não relevam nem revelam
Todas as promessas vãs,
Os trocados sentidos que imperam
Nas ligeiras mudanças titãs.
É que tudo é tão fugaz
Que a própria essência nos traz
Este vento tão cinzento
Do qual o destino nos faz,
Parecer a todo o momento
Estar em guerra e sem paz.
E desvias todas aquelas
Recordações boas e más,
Em pinturas e aguarelas
Em silêncios que o barulho traz.
Não posso nem quero
E se quisesse nao podia,
Pois o acaso é mero
E a certeza varia.
Hoje assim,
Amanhã no contrário
Não comeces, já é o fim
Não diz o conto do vigário
Digo eu, vai por mim!

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